quinta-feira, 18 de março de 2010

Nostalgia


Ontem, eu dançava ...
Ontem, não sei bem que horas, mas lembro que o vento batia em meu rosto, delicado e frio. Lembro que as nuvens caminhavam lentas em multi formas e que o sol me aquecia sem machucar.
Ontem, não sei a data, porém, as folhas num tom de terra voantes, me diziam que estação, que momento.
Ontem, eu podia sentar no banco do parque e dar migalhas aos pássaros, e dividir com os pequenos meninos a festa de vê-los pousar.
Ontem eu não conhecia guerras, nem catástrofes naturais.
Ontem não tinha medo, tinha sonhos, filhos, pais.
Hoje, eu queria que esse mundo fosse irreal, ou que eu pudesse selecionar a atualização e deletar.

quarta-feira, 17 de março de 2010

E quando deixo meus pais?

Ao leste o sol dava-me bom dia, seus raios aqueciam-me na fria manhã. Encostei-me na mureta da varanda. A beleza da cidade à disposição, a brisa delicada e nostálgica contra meu rosto, e o silêncio peculiar da solidão; faziam-me companhia no amanhecer mais intimo e egocêntrico. À proporção que o sol alcançava o alto, ancorava-me nos meus vinte e um anos, na minha nova condição de naufrago. Amarrei o roupão, deixei a manhã para trás, mirei a ilha, adversa ao arquipélago que até ontem habitei. Os rumores soavam distantes, as conversas que ouvia eram pessoais e intransferíveis. Talvez não fosse a maior catástrofe, se eu me permitisse sobreviver, se eu preenchesse o vazio de lembranças, se eu acreditasse que fiz o certo para encontrar as respostas que na turbulência não me eram fornecidas. O pássaro havia descoberto que podia voar e construir seu próprio ninho. Mas tudo era estranho, ainda que gritasse dentro de mim um desejo de viver-me. Faltavam as reclamações amigas de minha mãe, as poucas e sábias palavras do meu pai, as confidências e brincadeiras com os irmãos, até o miado do gato que tanto desprezava. Com quem sentaria na cama assim que acordasse e delataria um sonho meu ou de quem reclamaria pelo uso da toalha, quem me diria que a comida estava ótima ou que exagerei no sal, a quem perguntaria se a roupa ficou bem ao sair com as amigas. Já não marcariam as horas pra voltar pra casa, nem me proibiriam de juntar a galera e fazer a festa. O computador poderia ficar ligado até altas horas; a conta do telefone viria com pulsos gastos a mais, lógico que o valor também excederia. De repente joguei-me sobre o sofá, gargalhei. É. Moro sozinha agora e se continuasse incrédula teria me atrasado para o trabalho. Já sou adulta, disse comigo. Que palavra pesada e difícil de ser pronunciada.

terça-feira, 16 de março de 2010

Lágrimas de mãe


Certa noite, sentei na varanda de minha casa de campo, senti um cheiro de rosas junto com o frio do vento. De repente uma lágrima rolou de meus olhos dançando sobre as poucas linhas do meu rosto, pensei nela, essa lágrima, chegou em meus lábios, tive o impulso de falar para a criança acordada que já ia lhe por na cama, pensei em nós, a lágrima tão longamente, caiu em meu peito, doeu tanto por mim e por ela, sem forças para rolar, a lágrima não se moveu, a lágrima ficou ali, em sincronia com minha respiração, e quantas vezes viveu por mim, cruzei os braços sobre o peito e a lágrima, pensei em mim, nela, e na criança que me esperava,fitando pela janela.
A lágrima se foi, cansada de me recordar, que minha mãe envelheceu, e já não a esperaria para me por a dormir, que sempre pronunciou boas palavras, mesmo quando me repreendia, que seu amor foi imenso e que seus braços me acolhiam, e que infelizmente, já não estava aqui.
Entrei em casa, abracei longamente minha filha, pensei em nós, e vieram lágrimas, avisando-me, que agora sou MÃE, e que levarei nessa missão os exemplos de minha mãe.